Era
verdade quando eu disse que o amava. Fora um “eu te amo” dito no meio de uma
briga. Ela era daquelas proposições balbuceadas com tranquilidade, aquelas nas quais se diz depois de um longo suspiro. E após dizê-lo, fica-se com as mãos trêmulas.
É... Fora o primeiro "eu te amo". E o último também.
Depois
da reiterada discussão, eu me encontrara perdida por entre as letras. Eram tantas as palavras, e nenhuma das combinações que eu conseguira fazer com elas me amparou. Não havia outra forma de me
sai daquele caso e acabei por dizer, “eu te amo”. Usara tais palavras como uma
espécie de ultima ratio¹. E mesmo que
elas significassem tanto, havia muito mais por trás da interpretação
literal daquele verso.
Ele não acreditou, ou fingiu
não acreditar..
Fora
um “eu te amo” daqueles mais tristes. Sem resposta, sem reciprocidade. No
momento seguinte ao mencionado ato, me arrependi. Talvez eu tenha escolhido
a pior ocasião para dizê-lo, e gastei aquelas belas palavras. Fora triste... e ainda é.
¹Ultima ratio - Razão final, último argumento, último recurso.