terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Avisa-me!

Ah meu bem, se tu não vens, eu vou!
Pois de todas as maneiras tentei,
E até já chorei, por conta desse amor

Se te vi quase só em sonhos, você nem parece existir
E por não fitar-te fisicamente,
Deixa-me ceder, e seguir,
Cansa-me esse amor inconsciente!

Se for para acontecer, manda me avisar
Por carta, sinal de fumaça ou pombo correio
Pois por mais que eu diga desistir
Não me aguento se você pedir e hei de retornar

Se disser, não vou, volto!
Mas não correndo, para você não pensar
Que me tens quando quiser..
E se assim fizer,
Ah meu bem, se tu vens, eu hei de querer!

domingo, 25 de novembro de 2012

Hipócrita beata


És o obstáculo que eu não previa
Aquela que insiste em me contrariar
Nos olhos de outrem, és boa e caridosa
Pobres iludidos!
Não te conhecem.

Vais a missa todos os domingos
Tenta irradiar bondade
É esse o seu desejo

Eu prefiro ser assim
Não ser falsa beata
Não ser como você

Não trago mágoas no meu coração
Muito pelo contrário
As transformo em poemas

Tenho pena dessa hipócrita beata
Que tanto reza por um lugar no céu
Mas vive fazendo da minha vida um inferno

sábado, 10 de novembro de 2012

Crônica de uma tarde qualquer

Eram tantos os campos verdes naquela tarde. A brisa insistia em bagunçar (ainda mais) os meus cabelos. Havia muitos jovens passando de lá para cá. Andavam tanto. Iam e voltavam. Meia hora depois, eu já conseguia identificar aqueles meus novos "conhecidos" dessas idas e vindas.

O clima estava tão agradável. O grande mestre conseguira realizar um grande feito naquela tarde. Havia uma mistura climática perfeita entre o leve calor do sol, e a constante brisa do vento, que repito, insistia em bagunçar os meus cabelos.

Até dava vontade de deitar naquela grama verde, e quem sabe até comer alguns "cookies" que eu havia comprado na cantina.

Era o que eu queria.

Isso mesmo! Deitar naquela grama verde, comer alguns "cookies" e ter-te do meu lado. O céu estava tão bonito naquela tarde!
Aposto que você teria gostado de ver.

Imagina só! Nós, juntos, lá na grama, comendo alguns "cookies" e conversando as bobagens que mais ninguém aguentaria ouvir.

Bem que podia ter acontecido!

terça-feira, 6 de novembro de 2012

E se...


E se fosse devaneio esse amor?
Depois de um sonho acordaria sem lembrar
Mas eu lembro bem, logo não é sonho.

Seriam devaneios esses beijos e abraços?
As centenas de visões lúdicas e cenas embaçadas
Do seu amor já tão sonhado
Queres me dizer que nunca ocorreram?

Oh, pobres devaneios de minhas solitárias noites.
As minhas constantes viagens atemporais mostram a ti.
Estais comigo! Quem discordará?
Se perpasso momentos jamais vividos, eles ocorreram?

E se fosse loucura pensar tanto em ti?
Mesmo sem fitar-te! 

Seria insanidade viver nesse mundo?
Seria mundo viver nessa insanidade?

Oh visões lúdicas, cenas embaçadas e viagens metafísicas
Seria isto viver?

Sou juíza competente desta causa
E nela não cabe suspeição ou impedimento
Por que mesmo sendo parte interessada
As regras aqui são outras. 

domingo, 28 de outubro de 2012

Fascínio lunático



Oh lua, como és bela!
És tão serena que pareces até não conhecer os poderes que possui.
Hipnotizas e entorpeces com a tua beleza.
Oh lua, como podes iluminar uma vida inteira?
Estais tão perto e tão longe!
Admiro sem tocar-te.
Amor quase platônico este,
Tão belo, puro e despido de maldade.
E as vezes, no ápice da vontade
A consciência e a razão chegam lembrando-me o certo e o errado perante outrem.
Perco a consciência.
Alieno-me diante da tua áurea.
Os menos poéticos, certamente, hão de indagar
-Como podes se apaixonar pela lua?
E eu vos direi
-Olhe-a atentamente... Penetre no seu "olhar" e entre na sua alma.
No minuto seguinte, questionarão
-Como eu poderia não me apaixonar pela lua?

sábado, 20 de outubro de 2012

"Meio amor"


O que é o amor?

Alguns dizem que só com o tempo se ama de verdade.  Outros acreditam no chamado “amor a primeira vista”. Mas o que é o amor? Essa mistura de paixão e loucura, passa bem longe de qualquer conceituação racional.

Digo-lhes! O amor não acontece com o tempo. Quando se ama, ama-se em um único ato. Desde o começo. Não há meio amor, ou meio “desamor”, dependendo da sua preferência filosófica. O amor surge depressa. Há a simpatia desde o início... Mesmo no fundo, lá no fundo, sabe-se que ama, ou que irá amar.

Nunca vi “meio amores” vingarem. Coisas assim sequer pulam do chão, quem dirá fazer alguém flutuar, como dizem os apaixonados.

Amores surgem em um estampido, em um piscar de olhos.

O amor é a estória bonita de um filme, onde o mocinho conhece a mocinha, e segundos depois já se encontram apaixonados. A mocinha esquece seu antigo cortesão, e o mocinho desfaz a promessa de casamento feita à filha de um amigo antigo de seu pai.

 E você se pergunta:

-Como? Como pode ser? Eles acabaram de se conhecer. Isso não é possível!

Mas veja, o amor é mesmo assim. Falo de amor, e não de um “meio amor” prometido, pensado, acautelado, friamente calculado, pois o sentimento conhecido por deixar o mais sério humanoide com cara de bobo, pode ser tudo, menos racional.

sábado, 6 de outubro de 2012

Afogando o rei

Nesse jogo de xadrez sem rainha,
Já perdi as minhas duas torres.
E o castelo de pedras está prestes a desmoronar.
Até os bispos já se retiraram,
Foram até à igreja rezar.
E o Deus que eles tanto clamam,
Parece até não lembrar,
Que do outro lado do tabuleiro
Há um exército a chorar.
Desapareceram os peões,
Um a um.
Nesse jogo de xadrez sem cavalos,
Já perdi as minhas duas torres.
E não parece haver outra saída
A não ser afogar o rei
Antes do término da partida.

sábado, 7 de julho de 2012

O "bem" do século.

           A cada vez que lia aqueles poemas eu pensava, “como podem se encaixar tão bem com o que eu quero dizer?”. A maior parte daquelas palavras parecia até já ter pairado por meus sonhos, e quando eu as lia em um poema, mesmo que desconhecido, sentia uma sensação de reencontro. De alguma forma aqueles versos me pareciam familiares, como se já os tivesse lido várias outras vezes. E de um jeito simples e sutil, sentia que os reconhecia, como um velho amigo que não encontrava há alguns anos, e apesar de não lembrar bem de todos os seus detalhes, confirmava o velho laço de amizade ao observar o brilho singular em seus olhos.
Álvares de Azevedo inspirava de tal maneira que eu sentia um enorme prazer ao lê-lo. Trazia sempre um de seus poemas na ponta da língua, “Se eu morresse amanhã”. Dizia que qualquer um que me conhecesse de verdade já havia me visto recitando-o. Era sem dúvidas o meu preferido. E se encaixava tão bem com tudo que acontecia comigo.
Talvez o que eu mais gostasse nele fosse o seu atenuado eufemismo, que o "pupilo" de Lord Byron aprendera com tanta maestria. Álvares demonstrava isso na forma como falava da doença, na sua eterna fixação pela morte e o modo como mostrava ser esta a solução para as suas angústias. E com tudo isso, na sua melhor sutileza, tinha lá um belo poema.
A cada demonstração minha de idolatria e apreço pelo mal do século, cabeças e olhos curiosos surgiam. Talvez se questionassem o porquê de alguém ter tamanha estima por tal literatura. Alguns me julgavam triste por essa fixação... Simplesmente não compreendiam. Mas eu não me importava, desde que houvesse alguns ultra-românticos para me entender. A segunda fase do romantismo estava impregnada em cada célula minha. E por mais que eu quisesse, não conseguia me livrar daquele gosto. Eu pensava, talvez algum dia, em algum mês, de algum ano, quando o meu ponto final chegasse, alguém podia lembrar do meu poema preferido e dizer, “O amanhã dela finalmente chegara”.

terça-feira, 19 de junho de 2012

Um “Eu te amo” qualquer.

Era verdade quando eu disse que o amava. Fora um “eu te amo” dito no meio de uma briga. Ela era daquelas proposições balbuceadas com tranquilidade, aquelas nas quais se diz depois de um longo suspiro. E após dizê-lo, fica-se com as mãos trêmulas. 

É... Fora o primeiro "eu te amo". E o último também. 

Depois da reiterada discussão, eu me encontrara perdida por entre as letras. Eram tantas as palavras, e nenhuma das combinações que eu conseguira fazer com elas me amparou. Não havia outra forma de me sai daquele caso e acabei por dizer, “eu te amo”. Usara tais palavras como uma espécie de ultima ratio¹. E mesmo que elas significassem tanto, havia muito mais por trás da interpretação literal daquele verso. 

Ele não acreditou, ou fingiu não acreditar..

Fora um “eu te amo” daqueles mais tristes. Sem resposta, sem reciprocidade. No momento seguinte ao mencionado ato, me arrependi. Talvez eu tenha escolhido a pior ocasião para dizê-lo, e gastei aquelas belas palavras. Fora triste... e ainda é. 

O pior é que apesar de ele não ter acreditado, eu lhe disse a verdade. E mesmo depois de tanto tempo, os dias só me provam o quanto havia de sinceridade naquelas palavras. E não há um só amanhecer que eu não pense na resposta que não recebi.


¹Ultima ratio - Razão final, último argumento, último recurso.

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Um dos princípios não expressos da nossa constituição foi desrespeitado. A lide começou. Nesse conflito não tive direito a ampla defesa. Fui julgada sem o contraditório. E na senteça, o juiz argumentou com base no CA (código do amor) e no CPA (código do processo do amor). Eu havia de fato cometido tal transgressão, mas fiquei chateada pela ausência da bilateralidade. Fui condenada, e tive como sanção a perda de um amor. Eu não estava satisfeita com o trauma daquela decisão. Decidi reccorrer à instâncias superiores e entrei com um recurso. Tentei muitas vezes... Depois de vários recursos as possibilidades foram se esgotando, e eu fui desistindo. Hoje, depois de tantas tentativas, vejo que esse processo caminha para se tornar coisa julgada material. E a cada dia vou entendendo que já fui sancionada. Apesar disso, me pergunto todos os dias como teria sido se os princípios do contraditório e da ampla defesa tivessem sido respeitados.