domingo, 28 de outubro de 2012
Fascínio lunático
Oh lua, como és bela!
És tão serena que pareces até não conhecer os poderes que possui.
Hipnotizas e entorpeces com a tua beleza.
Oh lua, como podes iluminar uma vida inteira?
Estais tão perto e tão longe!
Admiro sem tocar-te.
Amor quase platônico este,
Tão belo, puro e despido de maldade.
E as vezes, no ápice da vontade
A consciência e a razão chegam lembrando-me o certo e o errado perante outrem.
Perco a consciência.
Alieno-me diante da tua áurea.
Os menos poéticos, certamente, hão de indagar
-Como podes se apaixonar pela lua?
E eu vos direi
-Olhe-a atentamente... Penetre no seu "olhar" e entre na sua alma.
No minuto seguinte, questionarão
-Como eu poderia não me apaixonar pela lua?
sábado, 20 de outubro de 2012
"Meio amor"
O que é o amor?
Alguns dizem que só com o tempo se ama de verdade. Outros acreditam no chamado “amor a primeira
vista”. Mas o que é o amor? Essa mistura de paixão e loucura, passa bem
longe de qualquer conceituação racional.
Digo-lhes! O amor não acontece com o tempo. Quando se ama,
ama-se em um único ato. Desde o começo. Não há meio amor, ou meio “desamor”,
dependendo da sua preferência filosófica. O amor surge depressa. Há a simpatia
desde o início... Mesmo no fundo, lá no fundo, sabe-se que ama, ou que irá
amar.
Nunca vi “meio amores” vingarem. Coisas assim sequer pulam
do chão, quem dirá fazer alguém flutuar, como dizem os apaixonados.
Amores surgem em um estampido, em um piscar de olhos.
O amor é a estória bonita de um filme, onde o mocinho
conhece a mocinha, e segundos depois já se encontram apaixonados. A mocinha esquece seu
antigo cortesão, e o mocinho desfaz a promessa de casamento feita à filha de um
amigo antigo de seu pai.
E você se pergunta:
-Como? Como pode ser? Eles acabaram de se conhecer. Isso não
é possível!
Mas veja, o amor é mesmo assim. Falo de amor, e
não de um “meio amor” prometido, pensado, acautelado, friamente calculado, pois
o sentimento conhecido por deixar o mais sério humanoide com cara de bobo, pode
ser tudo, menos racional.
sábado, 6 de outubro de 2012
Afogando o rei
Já perdi as minhas duas torres.
E o castelo de pedras está prestes a desmoronar.
Até os bispos já se retiraram,
Foram até à igreja rezar.
E o Deus que eles tanto clamam,
Parece até não lembrar,
Que do outro lado do tabuleiro
Há um exército a chorar.
Desapareceram os peões,
Um a um.
Nesse jogo de xadrez sem cavalos,
Já perdi as minhas duas torres.
E não parece haver outra saída
A não ser afogar o rei
Antes do término da partida.
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