sábado, 16 de julho de 2011

Pouco...

Meus pensamentos me levam a você

Viajo até a última vez que te vi

Ah que dia bom! Que semana feliz!

E antes de dormir, lá vou eu

Navego até a última vez que te abracei

Sempre, todas as noites, antes de dormir

Penso em ti, tentando sonhar aquele sonho

Mas não é sempre que consigo e isso me revolta

Nele te tenho comigo, e naquele momento

Sonhar me parece pouco

Mas é o pouco que está ao meu alcance.

domingo, 10 de julho de 2011

#3

-Não pense que vai ser fácil...

Dizia uma voz ao pé do meu ouvido. E eu tentava retrucar.

-Ah, mas eu não pensei mesmo que fosse.

E era assim, fora assim por muitos dias. Havia talvez uma espécie de luta onde não havia ganhadores, e somente eu perdia. Todos os dias.

Aquilo me consumia de tal forma que não digo todos, mas posso afirmar que a maior parte dos meus pensamentos se dirigia a tal combate. Os dias passavam e ela voltava.

-Está vendo? Eu disse que não ia ser fácil e não estar sendo. Eu estava certa, como sempre, desde o princípio eu estava certa!

Era a moral que se manifestava diariamente sobre o mesmo assunto. Algumas vezes a mesma chegara a se misturar com o orgulho. Eles sabiam que juntos poderiam conseguir muitas coisas, inclusive uma mudança de opinião através de sanções tão conhecidas pelos seres humanos. Ah, eram o sentimento de culpa, o remorso...

Mas apesar do esforço, a moral e o orgulho não obtiveram sucesso algum. Continuaram lá, mas depois do fracasso, não mais se manifestaram com tanta força quando dantes.

Ah, logo eu que costumava desistir tão facilmente de tudo, agora travava a batalha mais difícil de todas, lutava contra eu mesma. Lembrava que se fosse há outros tempos, talvez me deixasse influenciar pela voz que insistia em falar ao pé do meu ouvido, mas agora eu sabia que nada me impediria de ser feliz.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

#2


Eu a admirava. E como admirava!
E eu pensava.
- Quando crescer quero ser igual a ti minha irmã!
Mas eu já era crescida. E ainda assim, mesmo sendo a irmã mais velha, não conseguia fazer as coisas que ela fazia. Talvez esse fosse o motivo da tamanha admiração.
Se eu tirava boas notas, ela tinha muitos amigos. Se eu era boa no inglês, ela era carismática. Se eu sabia um pouco da teoria, lá ia ela e praticava. Sempre foi assim.
E eu falava.
- Quando crescer quero ser igual a ti minha irmã!
Mas eu já era crescida.
A verdade é que eu a idolatrava e a protegia. Eu não conseguia entender de onde vinha toda aquela força, não conseguia compreender. Eu a admirava pelo seu jeito de agüentar e suportar coisas que eu tinha e tenho certeza que não conseguiria. Eu era frágil e não conseguia entender como aquela criança suportava tudo tão bem.
Talvez tenha sido esse o motivo de eu, em vários momentos, acatar alguns pedidos que me pareciam absurdos ou impossíveis para a ocasião.
E eu pensava cá comigo.
- Ela suporta aquilo que eu não suporto, ela consegue o que eu não consigo.
E assim, eu acabara cedendo em várias ocasiões, aquilo me tocava de uma forma inexplicável e eu simplesmente não conseguia dizer não.

Tweets.


Tenho um medo e uma vontade, uma cabeça e um coração. Penso assim como pode ser bom. Vem cá meu bem, dispa-se do receio, assim como o fiz. Deixe que o sentimento supere a razão, perca a consciência, chega de lutar contra o inelutável. (1)

Temo pela volta da minha triste sina. O retorno do meu doloroso karma. A minha eterna tristeza em existir. Vejo-o chegando, pressinto a sua volta. Sinto assim a constante dor, és a velha roda da vida. Pareces até rondar eternamente a tristeza. (2)

Quisera eu controlar o que sinto. Tenho aqui guardado os mais diversos pensamentos. Estes, confesso eu, em alguns momentos chegam a me assustar. Medo do pensar, e como não fazê-lo? Como cessar a grande dádiva exclusiva do ser humano? Já dizia Descartes, "Penso, logo existo." Se o ato de pensar age em concomitância com o de existir, sinto dizer, as vezes queria simplesmente não faze-lo. (3)


Talvez tenham dito lá pelos becos escuros, nos bares esquisitos e nas ruas sujas, que as coisas mudaram. De fato mudaram. Mas como dizer isto abertamente? Como despir este escuro véu que encobre a verdade? Como dize-lo, meu bem? Como? Ensina-me. (4)



@brunanegreiros

terça-feira, 5 de julho de 2011

#1

E assim, naquele momento, mais uma vez ela me dizia o quanto acreditava em Deus, afirmando que confiava e sabia que tudo daria certo. Repetia.

- Há duas coisas que me fazem seguir em frente, a fé e a esperança.

E eu me surpreendia, aquilo parecia tão absurdo para mim. Custava-me acreditar e aceitar que alguém que passava por situação tão dolorosa poderia ainda assim ter fé e crer na existência de um ser bom, um ser supremo que cuidava de todos. Aquilo me irritava, e como irritava! Logo eu que costumava respeitar a crença de todos, tempos depois acabara me tornando alguém que sentia um tremendo desconforto ao ouvir ela dizer. E ela repetia.

- Confio em Deus e em Jesus Cristo e somente eles podem me ajudar nesse momento. O que seria de mim sem a fé?

Aquilo continuava a me irritar, ficava em silêncio, mas subjacente ao que demonstrava na superfície, o meu corpo parecia até ter milhares de facas pontudas e cortantes por dentro. E o que eu queria de verdade era gritar.

- Escuta, presta bem atenção! Não há provas, não existem fatos que comprovem. Sabe esse Deus que você tanto fala? Ele não existe! Nós o criamos. Foram humanóides há milhares de anos que procuraram uma explicação para a vida, para as coisas, e sem conhecimento científico justificaram tudo através de um ser divino!

Mas infelizmente eu sabia, bem no fundo, e custava-me muito dizer, mas eu tinha conhecimento que aquela fé e esperança que ela tanto falava, eram o alicerce que ainda a matinha de pé. E por mais que eu quisesse, mesmo no ápice do desespero e da raiva, eu sabia que não poderia dizê-lo. Afinal, aquilo era o que a motivava e fazia com que mesmo com tanto sofrimento, um sorriso tímido e sincero ainda surgisse no canto de sua boca.

Algumas vezes eu tentava realizar uma espécie de brincadeira, tentando um tipo de regressão, voltando a tempos que hoje me parecem tão distantes. Transportava-me aos meus 11, 12 anos de idade, aos tempos que os problemas eram poucos, as brincadeiras eram muitas e eu ainda acreditava em Deus. Talvez eu nem acreditasse mesmo, penso que só seguia a ideologia hegemônica da família, uma criança de 11 anos de idade não pode questionar muita coisa. Nessa pequena viagem de volta ao passado, tentava lembrar o que eu pensava sobre o assunto na época, e infelizmente não recordo de muita coisa. Lembro-me vagamente do primeiro contato na escola com a teoria do big bang. Confesso quão estática fiquei ao tomar conhecimento desta teoria. Veio-me a epifania, tudo parecia ter sentido, e por muito tempo me considerei diferente de todas as outras crianças na sala de aula, lembro-me que por muito tempo a teoria criacionista e a do big bang coexistiram dentro daquela pouco desenvolvida mente infantil.