terça-feira, 19 de junho de 2012

Um “Eu te amo” qualquer.

Era verdade quando eu disse que o amava. Fora um “eu te amo” dito no meio de uma briga. Ela era daquelas proposições balbuceadas com tranquilidade, aquelas nas quais se diz depois de um longo suspiro. E após dizê-lo, fica-se com as mãos trêmulas. 

É... Fora o primeiro "eu te amo". E o último também. 

Depois da reiterada discussão, eu me encontrara perdida por entre as letras. Eram tantas as palavras, e nenhuma das combinações que eu conseguira fazer com elas me amparou. Não havia outra forma de me sai daquele caso e acabei por dizer, “eu te amo”. Usara tais palavras como uma espécie de ultima ratio¹. E mesmo que elas significassem tanto, havia muito mais por trás da interpretação literal daquele verso. 

Ele não acreditou, ou fingiu não acreditar..

Fora um “eu te amo” daqueles mais tristes. Sem resposta, sem reciprocidade. No momento seguinte ao mencionado ato, me arrependi. Talvez eu tenha escolhido a pior ocasião para dizê-lo, e gastei aquelas belas palavras. Fora triste... e ainda é. 

O pior é que apesar de ele não ter acreditado, eu lhe disse a verdade. E mesmo depois de tanto tempo, os dias só me provam o quanto havia de sinceridade naquelas palavras. E não há um só amanhecer que eu não pense na resposta que não recebi.


¹Ultima ratio - Razão final, último argumento, último recurso.

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Um dos princípios não expressos da nossa constituição foi desrespeitado. A lide começou. Nesse conflito não tive direito a ampla defesa. Fui julgada sem o contraditório. E na senteça, o juiz argumentou com base no CA (código do amor) e no CPA (código do processo do amor). Eu havia de fato cometido tal transgressão, mas fiquei chateada pela ausência da bilateralidade. Fui condenada, e tive como sanção a perda de um amor. Eu não estava satisfeita com o trauma daquela decisão. Decidi reccorrer à instâncias superiores e entrei com um recurso. Tentei muitas vezes... Depois de vários recursos as possibilidades foram se esgotando, e eu fui desistindo. Hoje, depois de tantas tentativas, vejo que esse processo caminha para se tornar coisa julgada material. E a cada dia vou entendendo que já fui sancionada. Apesar disso, me pergunto todos os dias como teria sido se os princípios do contraditório e da ampla defesa tivessem sido respeitados.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Pobre poetisa! Eterna escrava da tristeza. O grande combustível de seus textos. E eu pergunto: Como podes aprecia-la poetisa? Como podes gostar da névoa que encobre a ti? Sigo aqui, assim mesmo, sem que ela me responda. Sem entende-la. Pobre poetisa! Brinca com as palavras, diz desabafar em suas linhas, aglutina as rimas e faz escorrer as lágrimas no rosto de quem vos escreve.
Veio tudo de uma vez. Tudo. Tudo para me desmanchar. Tudo o que eu não agüentaria nesse momento. O que posso dizer? O que posso fazer quando as minhas forças simplesmente se esvaem? E até o pouco de felicidade que eu tinha, se esfarelou, como a mais seca poeira. Sinto-a aqui. Passando por entre os meus dedos. Tento segura-la. Mas infelizmente sinto que já não a tenho, e não adianta o quanto eu pressione a mão para impedir que ela caia, no segundo seguinte percebo que já a deixei passar. Simples assim.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Oh tristeza, voltas aqui novamente
Vens ao encontro da tua eterna companheira
Nesta intima relação construída por nós duas.
Tu chegas assim de repente
Causando um vazio incalculável
E me fazes lembrar aquilo que por alguns momentos cheguei a esquecer.
E eu acreditei de verdade
Na mentira da felicidade.
Mas que tola eu fui.
Esqueci mais uma vez a minha sina
Com a eterna esperança de um dia ser feliz.
E amanhã talvez eu o seja, para mais uma vez esquecer o que passei hoje.

sábado, 16 de julho de 2011

Pouco...

Meus pensamentos me levam a você

Viajo até a última vez que te vi

Ah que dia bom! Que semana feliz!

E antes de dormir, lá vou eu

Navego até a última vez que te abracei

Sempre, todas as noites, antes de dormir

Penso em ti, tentando sonhar aquele sonho

Mas não é sempre que consigo e isso me revolta

Nele te tenho comigo, e naquele momento

Sonhar me parece pouco

Mas é o pouco que está ao meu alcance.

domingo, 10 de julho de 2011

#3

-Não pense que vai ser fácil...

Dizia uma voz ao pé do meu ouvido. E eu tentava retrucar.

-Ah, mas eu não pensei mesmo que fosse.

E era assim, fora assim por muitos dias. Havia talvez uma espécie de luta onde não havia ganhadores, e somente eu perdia. Todos os dias.

Aquilo me consumia de tal forma que não digo todos, mas posso afirmar que a maior parte dos meus pensamentos se dirigia a tal combate. Os dias passavam e ela voltava.

-Está vendo? Eu disse que não ia ser fácil e não estar sendo. Eu estava certa, como sempre, desde o princípio eu estava certa!

Era a moral que se manifestava diariamente sobre o mesmo assunto. Algumas vezes a mesma chegara a se misturar com o orgulho. Eles sabiam que juntos poderiam conseguir muitas coisas, inclusive uma mudança de opinião através de sanções tão conhecidas pelos seres humanos. Ah, eram o sentimento de culpa, o remorso...

Mas apesar do esforço, a moral e o orgulho não obtiveram sucesso algum. Continuaram lá, mas depois do fracasso, não mais se manifestaram com tanta força quando dantes.

Ah, logo eu que costumava desistir tão facilmente de tudo, agora travava a batalha mais difícil de todas, lutava contra eu mesma. Lembrava que se fosse há outros tempos, talvez me deixasse influenciar pela voz que insistia em falar ao pé do meu ouvido, mas agora eu sabia que nada me impediria de ser feliz.