sábado, 20 de outubro de 2012

"Meio amor"


O que é o amor?

Alguns dizem que só com o tempo se ama de verdade.  Outros acreditam no chamado “amor a primeira vista”. Mas o que é o amor? Essa mistura de paixão e loucura, passa bem longe de qualquer conceituação racional.

Digo-lhes! O amor não acontece com o tempo. Quando se ama, ama-se em um único ato. Desde o começo. Não há meio amor, ou meio “desamor”, dependendo da sua preferência filosófica. O amor surge depressa. Há a simpatia desde o início... Mesmo no fundo, lá no fundo, sabe-se que ama, ou que irá amar.

Nunca vi “meio amores” vingarem. Coisas assim sequer pulam do chão, quem dirá fazer alguém flutuar, como dizem os apaixonados.

Amores surgem em um estampido, em um piscar de olhos.

O amor é a estória bonita de um filme, onde o mocinho conhece a mocinha, e segundos depois já se encontram apaixonados. A mocinha esquece seu antigo cortesão, e o mocinho desfaz a promessa de casamento feita à filha de um amigo antigo de seu pai.

 E você se pergunta:

-Como? Como pode ser? Eles acabaram de se conhecer. Isso não é possível!

Mas veja, o amor é mesmo assim. Falo de amor, e não de um “meio amor” prometido, pensado, acautelado, friamente calculado, pois o sentimento conhecido por deixar o mais sério humanoide com cara de bobo, pode ser tudo, menos racional.

sábado, 6 de outubro de 2012

Afogando o rei

Nesse jogo de xadrez sem rainha,
Já perdi as minhas duas torres.
E o castelo de pedras está prestes a desmoronar.
Até os bispos já se retiraram,
Foram até à igreja rezar.
E o Deus que eles tanto clamam,
Parece até não lembrar,
Que do outro lado do tabuleiro
Há um exército a chorar.
Desapareceram os peões,
Um a um.
Nesse jogo de xadrez sem cavalos,
Já perdi as minhas duas torres.
E não parece haver outra saída
A não ser afogar o rei
Antes do término da partida.

sábado, 7 de julho de 2012

O "bem" do século.

           A cada vez que lia aqueles poemas eu pensava, “como podem se encaixar tão bem com o que eu quero dizer?”. A maior parte daquelas palavras parecia até já ter pairado por meus sonhos, e quando eu as lia em um poema, mesmo que desconhecido, sentia uma sensação de reencontro. De alguma forma aqueles versos me pareciam familiares, como se já os tivesse lido várias outras vezes. E de um jeito simples e sutil, sentia que os reconhecia, como um velho amigo que não encontrava há alguns anos, e apesar de não lembrar bem de todos os seus detalhes, confirmava o velho laço de amizade ao observar o brilho singular em seus olhos.
Álvares de Azevedo inspirava de tal maneira que eu sentia um enorme prazer ao lê-lo. Trazia sempre um de seus poemas na ponta da língua, “Se eu morresse amanhã”. Dizia que qualquer um que me conhecesse de verdade já havia me visto recitando-o. Era sem dúvidas o meu preferido. E se encaixava tão bem com tudo que acontecia comigo.
Talvez o que eu mais gostasse nele fosse o seu atenuado eufemismo, que o "pupilo" de Lord Byron aprendera com tanta maestria. Álvares demonstrava isso na forma como falava da doença, na sua eterna fixação pela morte e o modo como mostrava ser esta a solução para as suas angústias. E com tudo isso, na sua melhor sutileza, tinha lá um belo poema.
A cada demonstração minha de idolatria e apreço pelo mal do século, cabeças e olhos curiosos surgiam. Talvez se questionassem o porquê de alguém ter tamanha estima por tal literatura. Alguns me julgavam triste por essa fixação... Simplesmente não compreendiam. Mas eu não me importava, desde que houvesse alguns ultra-românticos para me entender. A segunda fase do romantismo estava impregnada em cada célula minha. E por mais que eu quisesse, não conseguia me livrar daquele gosto. Eu pensava, talvez algum dia, em algum mês, de algum ano, quando o meu ponto final chegasse, alguém podia lembrar do meu poema preferido e dizer, “O amanhã dela finalmente chegara”.

terça-feira, 19 de junho de 2012

Um “Eu te amo” qualquer.

Era verdade quando eu disse que o amava. Fora um “eu te amo” dito no meio de uma briga. Ela era daquelas proposições balbuceadas com tranquilidade, aquelas nas quais se diz depois de um longo suspiro. E após dizê-lo, fica-se com as mãos trêmulas. 

É... Fora o primeiro "eu te amo". E o último também. 

Depois da reiterada discussão, eu me encontrara perdida por entre as letras. Eram tantas as palavras, e nenhuma das combinações que eu conseguira fazer com elas me amparou. Não havia outra forma de me sai daquele caso e acabei por dizer, “eu te amo”. Usara tais palavras como uma espécie de ultima ratio¹. E mesmo que elas significassem tanto, havia muito mais por trás da interpretação literal daquele verso. 

Ele não acreditou, ou fingiu não acreditar..

Fora um “eu te amo” daqueles mais tristes. Sem resposta, sem reciprocidade. No momento seguinte ao mencionado ato, me arrependi. Talvez eu tenha escolhido a pior ocasião para dizê-lo, e gastei aquelas belas palavras. Fora triste... e ainda é. 

O pior é que apesar de ele não ter acreditado, eu lhe disse a verdade. E mesmo depois de tanto tempo, os dias só me provam o quanto havia de sinceridade naquelas palavras. E não há um só amanhecer que eu não pense na resposta que não recebi.


¹Ultima ratio - Razão final, último argumento, último recurso.

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Um dos princípios não expressos da nossa constituição foi desrespeitado. A lide começou. Nesse conflito não tive direito a ampla defesa. Fui julgada sem o contraditório. E na senteça, o juiz argumentou com base no CA (código do amor) e no CPA (código do processo do amor). Eu havia de fato cometido tal transgressão, mas fiquei chateada pela ausência da bilateralidade. Fui condenada, e tive como sanção a perda de um amor. Eu não estava satisfeita com o trauma daquela decisão. Decidi reccorrer à instâncias superiores e entrei com um recurso. Tentei muitas vezes... Depois de vários recursos as possibilidades foram se esgotando, e eu fui desistindo. Hoje, depois de tantas tentativas, vejo que esse processo caminha para se tornar coisa julgada material. E a cada dia vou entendendo que já fui sancionada. Apesar disso, me pergunto todos os dias como teria sido se os princípios do contraditório e da ampla defesa tivessem sido respeitados.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Pobre poetisa! Eterna escrava da tristeza. O grande combustível de seus textos. E eu pergunto: Como podes aprecia-la poetisa? Como podes gostar da névoa que encobre a ti? Sigo aqui, assim mesmo, sem que ela me responda. Sem entende-la. Pobre poetisa! Brinca com as palavras, diz desabafar em suas linhas, aglutina as rimas e faz escorrer as lágrimas no rosto de quem vos escreve.
Veio tudo de uma vez. Tudo. Tudo para me desmanchar. Tudo o que eu não agüentaria nesse momento. O que posso dizer? O que posso fazer quando as minhas forças simplesmente se esvaem? E até o pouco de felicidade que eu tinha, se esfarelou, como a mais seca poeira. Sinto-a aqui. Passando por entre os meus dedos. Tento segura-la. Mas infelizmente sinto que já não a tenho, e não adianta o quanto eu pressione a mão para impedir que ela caia, no segundo seguinte percebo que já a deixei passar. Simples assim.